21/06/15

Saudade - um

A saudade está aqui dentro, a cada dia maior e mais viva, pulsante como se fosse um segundo coração. Não é algo fácil de lidar, na verdade, não sei lidar com isso, seja por vivos ou mortos, acho que os vivos é mais difícil ainda, tudo é difícil, nós que dificultamos tudo. Seria mais simples, brigar e fazer as pazes, andar de mãos dadas em um jardim que tem as mais belas flores, ver o por do sol numa tarde ociosa, sorrir um pro outro como se o nada fosse tudo e tudo fosse nada. 

O que está dentro do nosso peito só nós sabemos, ainda mais nos momentos que queremos dizer sim quando dizemos não. O orgulho está presente, não queremos mais ser trouxas e nem que nos façam de gato e sapato, como se nossos corações fossem de papel. Hoje te quero, amanhã não te quero mais. 

Os momentos foram bons, valeram a pena, tudo valeu. O sentimento, nasceu, foi alimentado e cresceu, continua vivo, está aprisionado no alto de uma torre como Rapunzel, esperando que alguém venha e solte - o. O orgulho é o dragão que não deixa ninguém se aproximar, um muro de espinhos, uma ilha, algo que não nos faz bem. Misturei tudo, não lembro direito dos contos de fada. 


03/06/15

Sabe o que acontece?


A gente tenta ser forte, seguir em frente, enfrentar todas as decepções diárias com um sorriso no rosto, vestindo o personagem que te deixa que nem uma fortaleza. Só que no fim do dia, chegamos em casa, após o banho, tiramos o personagem, deixamos ele lá descansando pro outro dia, a partir dai, não conseguimos mais enfrentar nada, o choro nos faz companhia. Internamente, estamos tristes, chorando vinte e quatro horas por dia, com vontade de dormir o dia todo, não sair de casa, deprê total e geral. Sei que todo mundo sente isso, ninguém é feliz o tempo todo, mesmo com um sorriso estampado no rosto você não está feliz, ilusão. Temos que lidar com isso, ou tentar, dentro do nosso quarto, dentro de nós mesmos, porque ninguém entende nada, acham bobagem, besteira, eles não sabem o que dizem. Cada um sabe o tamanho e a importância de tudo o que sentem e vivem todos os dias. 

O fato é que um dia acaba, nada é pra sempre. Quando menos esperar, da mesma maneira que acordou pra vida do dia pra noite literalmente, também irá sorrir com mais plenitude, será feliz por mais duas ou três horas diárias, ficará mais leve. 

Por medo de represálias ninguém diz o que sente, e quando diz, sempre tem alguém pra dizer para parar de chorar, principalmente nas redes sociais, Não podemos guardar dentro do peito tudo o que nos faz sofrer temos que colocar pra fora, na maioria das vezes, o choro não é suficiente, temos que escrever, compartilhar músicas, frases e mais um monte de coisas. E ver que pessoas também se identificam com o que vivemos no momento nos faz sentir menos sozinhos. É sentimental, vai passar, não sei quando, talvez demore ou amanhã eu acorde melhor. 

Tudo é aprendizado, mesmo que você confie demais em alguém, seja mais amigo que o outro que diz ser teu amigo também, temos que fazer a nossa parte sempre, em tudo na vida. Mesmo que o outro não mereça, que não faça o mesmo. Não adianta achar que não vai criar expectativas, que não está criando, sempre iremos criar mesmo não querendo, é automático. Quando você pratica algo, espera algum resultado, é a mesma coisa. É natural, não podemos evitar. Criamos expectativas até em um batom, porque na boca da modelo fica maravilhoso e achamos que na nossa também vai ficar, não é assim, veja de outra maneira. 

Quero que você saiba que o mais importante de tudo, é ser feliz, arriscar - se sem medo de tentar o que se tem vontade. A vida tá passando, estamos envelhecendo, não podemos deixar de fazer por medo de sofrer. Sofrer é algo natural, inevitável. Trabalha isso, aprende lidar e será mais feliz.

16/03/15

Não ia escrever isso

Sabe o que é? O ritmo não é mais o mesmo, nem o restante, os interesses estão todos contrários. Não sou mais como você me conheceu há tanto tempo, a paciência acabou, o saco estourou, ficou pequeno demais para tanta besteira inútil. Acreditei nos seus ideais, dei o braço à torcer, queimei minhas mãos no final. Fiz curativos, ficaram as cicatrizes, acostumei com isso. Não era pra acostumar, mas com tantas feridas é inevitável que isso aconteça. Por mais difícil que isso seja, abdiquei da nossa amizade com o tempo, sem querer querendo, apenas deixei de acreditar que o seu caráter era diferente dos demais com a mesma escolha que a sua, mas não, dei com a cara na porta mais uma vez. Tudo bem, as coisas passam, mudamos, só que lá no fundo do peito fica, resta a mágoa, pois confiamos um no outro por tão pouco tempo que parecia muito, praticamente muitos anos. Não foi assim, já deu, já foi.