A maioria das pessoas desse país age de acordo com nossa realidade terceiro-mundista. É fato. Mas o correto sempre será o correto, e o mesmo vale para o errado. Por isso, me choca a inversão de valores. Esse é o caminho para a condenação perpétua a uma realidade já existente e em negativa evolução.
Já é normal ver a corrupção acontecendo. Mas quando o honesto, por assim ser, sente-se um idiota, por não ter tirado vantagem de outrem, o sinal de alerta acende-se. E é aí onde mora o perigo. Eu, desde que retirei minha habilitação para dirigir, defendo a teoria da racionalidade e respeito constante às pessoas e leis, por exemplo, assim como em outras esferas de convívio do meu dia a dia. Quando paro diante de uma faixa de travessia de pedestres para que uma pessoa a utilize, recebo buzinaços de motoristas que estão atrás e importam-se apenas consigo mesmos. Faço o correto, mas na visão ignorante da maioria estou agindo equivocadamente. O grave precedente é quando a postura íntegra passa a não mais ser importante na mentalidade das pessoas, e sim a vantagem a si independente de como.
Os bons ainda existem, mas já sentem-se intimidados, e isso é perceptível, pelo entendimento de comportamento que esses têm. Já ouvi de um funcionário público da política – não é meu amigo ou parente -, que trabalha honestamente, todos os dias, e não percebe valores de procedência ilegal, “às vezes me sinto um burro”. E isso, tanto quanto a cultura do indecoro, é muito preocupante.



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