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Sou mulher e quero respeito

março 08, 2016

Imagem: weheartit


Ser mulher é muito difícil, não estou falando sobre os quilos a mais, menstruação, menopausa e os hormônios que entram em erupção na adolescência, digo na hora de arrumar emprego e no cotidiano, tudo o que passamos pra poder conquistar nosso espaço, sermos valorizadas por quem somos e pelo o que fazemos, nossa capacidade como pessoa, esquecendo nossos seios e órgãos genitais.

Somos vistas o tempo todo como um pedaço de carne em uma vitrine, julgadas por causa da roupa, se temos filhos, se não temos, se vamos casar ou se não vamos, se gostamos de mulheres, por tudo e mais um pouco. Duvidam da nossa capacidade intelectual, do nosso potencial, nos desrespeitam, acham que podem falar o que bem entendem em qualquer lugar e temos que aceitar caladas, se respondermos com a mesma "sutileza" dirão que somos mau comidas, nos ignoram.

Em muitas dessas situações ficamos com medo de falar, porque fomos criadas para ouvir desaforos sem responder nada, ainda mais se for no ambiente de trabalho, onde temos que nos comportar por precisar daquele emprego, e nesse comportamento inclui aceitar quieta as besteiras que nos dizem sem pensar no que iremos sentir, achar e se nos interessa.

Quando você trabalha com outras mulheres, tem que saber lidar com as fofocas, elas surgem por todos os motivos, de todos os tipos e sem motivos, que depois tornam - se competições sem sentido, e dependendo, se não souber lidar com as colegas e com toda a situação imposta, pode perder o emprego. E também tem a inveja, por causa do cabelo, da unha, da roupa, do namorado, do carro, da casa, das férias, inveja até do que acham que você tem, mas não tem. Tudo é questão de adaptação e saber trabalhar em equipe para que não se crie inveja e nem fofoca, não são todas as pessoas que conseguem essa façanha com várias pitadas de paciência diária o tempo todo.

E quando os teus colegas são homens, teu chefe é homem e a maioria das pessoas que você atende também são homens? É ter que tirar uma paciência da onde não existe, escutar besteiras e desaforos, não ser respeitada, sofrer assédio o tempo todo, ver as tuas colegas que são mais femininas (com maquiagem, vestido, cabelo comprido) que na concepção masculina são mais atraentes.

O assédio é sentido, visto, ouvido todos os dias, o dia todo, chega a dar nojo da maneira como eles olham pra elas, falam bobagens, não falo apenas das colegas, falo de todas as mulheres que cruzam comigo diariamente e dos olhares de desejo que são lançados sobre elas, dos gritos, assovios, das mordidas nos cantos da boca e de como se lambem, o quão nojentos e repugnantes são. 

Não existe respeito e muito menos valorização. Nós temos sentimentos, além de formas, seios e órgão sexual, temos opinião, capacidade e competência para estar em todas as áreas da sociedade. Não temos culpa dos abusos, dos assédios, da falta de respeito, do homem que engravida a mulher e abandona o filho, do homem que abusa das próprias filhas, do chefe que grita com suas funcionárias, dos colegas que humilham, dos clientes que falam gracinhas.

Só queremos trabalhar e estudar, sem medo de ser seguida, de gritarem e assoviarem, de ser humilhada, assediada e humilhada de todas as maneiras possíveis, não somos obrigada a isso. Nesses 24 anos, de discriminação, assédios, abusos e racismo, aprendi que com educação podemos responder tudo e a todos, sem agir da mesma maneira escrota que fazem conosco, chega de engolir e aguentar tudo quieta, sem poder reclamar, porque as respostas sempre são as mesmas: "a culpa é tua", "tu pediu por isso", "talvez se tu não tivesse desse jeito não aconteceria", entre outras frases mais que sempre nos culpam por tudo. 

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2 Comentários

  1. Achei seu texto incrível, parabéns. Podemos ter um dia internacional, mas exigimos respeito e igualdade o ano inteiro .

    Beijo
    www.maisfeminice.com.br

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