O cotidiano

18:30



[Leia escutando Saturno]

É em posição fetal que vejo o tempo passar todos os dias nos últimos meses. Acordo querendo dormir de novo, pois não consigo enxergar os motivos para levantar da cama todo dia de manhã. Há vida, mas não há vontade de continuar.

Abri meus olhos por causa da claridade que atravessa as cortinas verdes do meu quarto, que atrapalha meu sono toda manhã, além do despertador que sempre desligo, coloco pro lado, cochilo "5 minutos" e acordo no susto meia hora depois.
Pulo da cama, me visto, passa a mão na cabeça, na ilusão de desamassar os cabelos curtos, em vão, porque eles irão continuar amassados até a próxima lavagem.

Não tenho coragem pra jogar a tolha, assumir que desisti, que quero fugir, que não quero mais ficar aqui. Digo e repito isso todos os dias lá onde não quero ficar, sinto vontade de ficar em casa, não falar com ninguém que já conheço. As histórias são sempre as mesmas, não temos mais assunto e o rótulo amizade não senta mais na relação que não temos mais, confuso, eu se, como eu.

Todos somos, uns mais, uns menos. 
A dor está presente de mãos dadas com o desespero, fazendo com que efeitos colaterais surpresas aconteçam o tempo todo. Não há o que fazer, a não ser deixar o tempo passar para as coisas melhorarem e assim amenizar a dor.

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